
A história de Diamantino é “sui generis”, pela ocorrência de fatos históricos de características curiosas, determinados por ciclos econômicos distintos: ouro, borracha, diamante, pecuária e, atualmente, a agroindústria, com destaque para a implantação de grandes negócios como o Grupo Marfrig, Vanguarda e Bertin.
Em 18 de setembro de 1728, Gabriel Antunes Maciel, sorocabano ligado às legendárias penetrações bandeirantes do Rio Cuiabá, mandava à Câmara Regente desta Vila, pelo Capitão-Mor Gaspar de Godói, notícias da descoberta do Paraguai, mais tarde Paraguai-Diamantino, onde havia ocorrência de ouro fácil. Ali, às margens do Ribeirão do Ouro, fundou-se o primeiro arraial que ganhou vida com os resultados da abundante mineração.
Em 1825, Diamantino contava com 6.077 habitantes, sendo 1.095 brancos, 1.266 pardos, 3.716 pretos entre os quais 3.530 eram escravos. Contavam-se 21 casas de secos e molhados, 107 tabernas, 26 alfaiatarias, 16 sapatarias, 16 carpintarias, 12 ferrarias, 1 selaria, 5 ouriversarias, 12 pedreiros, 46 sesmarias, 11 engenhos e 6 fazendas de gado. Produzia farinha de mandioca, aguardente, azeite de mamona e algodão, que era fiado e tecido na mesma localidade. Trabalhavam 104 alfaiates, 64 sapateiros, 52 carpinteiros, 40 ferreiros, 3 seleiros, 20 ourives entre mestres e oficiais.
Muitas famílias serviam o guaraná em baixelas de ouro e prata e a rainha das festas pisava passadeira de seda na Rua da Matriz. Até jornaleiros e escravos andavam com ouro e diamante nas mãos.
Em l833 a cidade entre em decadência. Foi o fim da idade áurea dos primeiros tempos.
O Município tem relevância histórico-cultural por estar inserido na rota da linha telegráfica construída pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, ter sido base da Comissão Rondon e, ainda, por ser caminho dos viajantes, a partir do Século XVIII, como a Expedição do Barão Langsdorff, Castelnau, Bartolomeu Bossi e Theodore Roosevelt.
Diamantino, terra que viu nascer o Almirante Batista das Neves, o Desembargador Joaquim Pereira Ferreira Mendes, José Barnabé de Mesquita e tantos outros filhos não menos ilustres, cabendo ressaltar a eminente figura do atual Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Ferreira Mendes.
Apesar das crises em sua economia, o povo desta cidade não desanima. No Brasão do Município, uma frase muito bem define a sua luta: “adamante durior progênies” – um povo duro que nem o diamante. E é este povo, juntamente com os irmãos de outros rincões que estão em busca de um novo Diamantino. Um Diamantino que sabe valorizar o seu passado através de seus pontos históricos e culturais, de seu folclore; do siriri, do cururu, do rasqueado; das rezas e ladainhas; da arquitetura colonial, da culinária... um povo que entende também que é preciso gerar riquezas, criar empregos e proporcionar vida mais digna para todos que aqui habitam e produzem.
Autor: Francisco Catunda
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